quarta-feira, 5 de maio de 2010

Imaginário

A solidão preenchia os corredores ventilados da casa. Não sabia ao certo quanto tempo restava. Observava pela janela e eu esperava anciosamente a chegada de meus parentes, e enfim eles apareceram. Mas como ele tinha mudado, aquele ser perfeito se tornou um Deus grego. Seu nome, Lucas, que vinha acompanhado com minha tia-avó Marlene.
– Oi Gabriela, sentimos sua falta.
– Eu também Lucas, muitas saudades.
Eu sofro de amor por ele, como não sofreria? Meu amor parecia um drama desses da novela das oito. Vinha passar uns dias na minha casa, com a minha tia, mas, o que adiantava? É um amor perdido e imaginário.
Guardavam suas malas e ficavam no quarto ao meu lado. Já era noite, tomei banho e fui me deitar. Meus pais João e Melina, foram m e dar boa noite, e saíram. Com aquela luz maravilhosa da lua fui me deitar.
Algo me tocava suavemente minha boca, devia ser meu lençol com a brisa marítima de Santos. Abri bem devagar os olhos e era ele. Caí no sono e só de manhã fui para a mesa tomar café da manhã mas minha mãe avisara que eles tinham ido embora hoje de manhã.

Eu, luva

Na linha de produção enquanto estava sendo fabricada, ouvia os comentários:
– Essa nossa vida curta de agora é angustiante.
– É querida, sabemos que seremos descartadas e depois seremos recicladas.
– Antigamente nossos avós duravam tanto. Iam nas mãos de damas, camareiros, e a vida de luxo que tinham ? Heim !?
Pensava em qual seria meu destino. Se eu seria de grande importância.
Na caixa, agora pronta, as luvas apertadinhas reclamavam umas das outras. Eu nem escutava só pensava que queria ser mais que uma luva.
– Olha, viemos para o Hospital !
– Espero que não fiquemos no setor que tira sangue, pois é uma de nós a cada minuto.
Nossa caixa foi parar no Centro Cirúrgico. Quando chegamos, fomos mandadas às salas mais próximas. Na sala do Doutor Mauro que ficamos, ele logo nos colocou nas mãos e correu para a sala de Emergência.
Na sala havia uma criança chorando muito, e com a perna toda aberta. O Doutor me pegou, e com uma agulha, começou a costurar aquela criança, que já estava apagada. Disse à agulha:
– Estou cansada, mais não podemos desistir, agulha !
– Claro que não, olha, esse é o último ponto. Terminamos.
Eu percebi que minha vida não tinha ido em vão, naquele dia tinha acabado de perceber que havia salvado uma vida. E o que me surpreendeu, foi que o Doutor me limpou e me guardou em um vidro, que dizia: “ Parabéns pela sua 1° cirurgia, Mauro!”.
Todos os pacientes que lá entravam, me olhavam com muita felicidade e muito orgulho. O meu destino foi escrito nas mãos desse, que se tornou, um médico famoso.